segunda-feira, 12 de abril de 2010

- O Alvorecer do Devir -
























Eu sou aquilo que sou
Construo a mim mesmo a cada momento.

Certo dia sentado a beira mar repetindo um ritual realizado por mim mesmo até o momento por toda uma vida.
Sempre do mesmo modo, sempre sentado, sempre olhando o mar e desejando que ele respondesse minhas perguntas.
A criança, que não mais é criança, o jovem sem seu vigor jovial, tudo constitui a sabedoria de um ancião que anseia pelo saber, e por isso persiste, insiste, fita o mar. Deseja escutar-lhe, deseja que lhe conte sua história ou qualquer história para que depois pudesse repeti - lá para aqueles que desejam saber.

Ao observar o mar em meu ritual vi surgir em meio as nuvem uma mulher.
O que é essa mulher, o que faz essa mulher, despida em meio ao frio gélido do oceano no inverno.
Aproximou-se, olhou-me e disse:
- o que fazes tu ó ancião, não vejo mais o brilho em seus olhos, apenas fumaça, névoa, tudo é tão obscuro. Por acaso a tua alma não entoa mais sua canção? Ou ela se esconde por traz dessa névoa?
- o brilho da melodia mais harmoniosa entre caos e harmonia não é acessível a qualquer um. Respondi.
- mas não há trevas obscuras o suficiente para que possam manter coisas escondidas diante da luz que ilumina.
- sei, mas nem tudo que se vê pode agradar a vista daquele que vê, mas sim surpreender.

Depois dessas palavras ela segurou minha mão, olhou-me nos olhos, seus olhos espelhavam o luar, o brilho do luar, essa era a sua canção, a canção cantada por sua alma.
Gotas de sangue escorriam de minhas mãos, a cada palavra que ela sussurrava dilacerava meu coração, a dor, sofrimento, o sacrifício pelo saber.

Minha alma, a muito quieta, entoou sua voz em meio à escuridão do meu frio olhar, um brilho que trazia sangue, dor, lágrimas.
Não há harmonia entre harmonia e caos, mas combate, guerra, construção de si mesmo a todo o momento. Pelo combate tudo nasce, tudo morre, pela harmonia tudo permanece, relaxa.

Fácil de compreender, difícil de executar o saber.
Palavras escritas no coração com uma navalha, pois cicatrizes não são esquecidas, não são apagadas.

Uma vez que se sabe não há como deixar de saber.

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