domingo, 13 de maio de 2018

- O que somos nós? -



No fim das contas, qual nossa essência?
Um composto de fios que conectam uma somatória de memórias. As lembranças do corpo são quem determinam nossos movimentos. Forças penetram a carne, cores se transformam em sangue, perfumes se transformam em palavras e sons em imagens. Não lembrar-se, a perca da memória ou a confusão nos faz sermos menos.
No oceano avistado do alto da montanha, de onde vejo o por do sol, uma mão emerge. Último suspiro, respiro. Na teia do tempo o resquício do corpo desaparece. Me jogo, mergulho, trago-me de volta... ad infinitum.

domingo, 22 de abril de 2018

- O Mundo que se despede -



Uma pequena onda de ar frio cobre meus pés assim como o sereno devaneio escorre pela noite estrelada. Um pequeno astro brilha nesta noite, porém, sua proximidade me confunde quanto a sua grandeza, palavras não verbalizadas sussurram em minha pele: O mundo está se fechando sobre si e partindo.
Este clima, este frio sopra saudade daquilo que está prestes a desmoronar com toda a sua tranquilidade. Estranha sensação de que O mundo está se fechando sobre si e partindo. Quando o último dos mundos partir que seja assim, como esta noite.
Olhares nefastos e conversas sombrias!!!! Oh! Não sei contra quem estão tramando...
Aquela estrela vermelha no céu agora brilha mais forte.

domingo, 28 de janeiro de 2018

- Parte do Manuscrito -



"Mas agora, neste último segundo de sua vida na Terra, eu vou lhe dizer o que vi: encontrei a casa limpa, a mesa posta, o campo arado, as flores sorrindo. Encontrei cada coisa em seu lugar, como devia ser. Você entendeu que as pequenas coisas são responsáveis pelas grandes mudanças.
E por causa disso vou levá-lo ao Paraíso".

Paulo Coelho: Manuscrito encontrado em Accra. 2012, p. 48.

sábado, 16 de dezembro de 2017

- Da amizade saudável -



Somos amigos, e por essa razão lhe pedi que não ultrapassasse esse abismo que rasga o chão. Existe em qualquer relação um abismo que não pode ser profanado, o abismo que demarca o espaço da minha solidão com o cuidado que me oferece. Mas, você não compreendeu, apagou o risco demarcado diante de seu pé, se compadeceu e veio me socorrer. "Eu sei do que você precisa", "siga meus conselhos e será feliz", acreditei nessas palavras e me tornei escravo.
Mil dias de luta e uma rebelião, a amizade prospera onde os amigos amam o espaço que os afasta.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

- Como ler minha obra -



Um passo de cada vez, para que seus pensamentos possam respirar profundamente. O "ar", assim, penetra os pulmões e nutre a alma.
Um passo de cada vez, para não perder o fôlego e sentar no meio da estrada e, por lá, se acomodar.
Um passo de cada vez, cada passo demorado, para que seus pés possam sentir a energia da terra penetrar em seu corpo e, assim, estremecer o espírito.
Ver o próprio espírito rachar diante da obscuridade... esse é o maior prazer do sábio.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

- Estratégia -




Nem todas as lutas valem a pena serem travadas. As vezes, compreender que o combate é impossível de ser vencido e, por essa razão, abandonado, é a melhor estratégia. As vezes, alguns adversários, invencíveis quando medimos forças e cujo esforço não produz crescimento algum é abandonado sozinho no campo de batalha, este se auto aniquila.
Fugir ou se ausentar, nesse sentido, não é sinônimo de covardia, mas a melhor estratégia para se vencer sem desperdiçar energias.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

- Minha Obra -




Hefesto martelava sem parar dia e noite e os sons de seus golpes me tiravam o sono. Cada martelada um fantasma, cada martelada um símbolo, cada martelada uma palavra que não consigo ler. Porém, a imagem forma-se lentamente no ar, a ideia parece vir de uma dimensão futura ou paralela.
 - Hefesto, o que você está criando a ferro e fogo? Posso ver mas não consigo entender. Compreendo mas não sistematizo. Qual o problema com sua obra Hefesto? Há nela rachaduras entre as partes que me impedem de ver o todo. Todo da obra? Continua sendo o todo, mas se adota uma perspectiva o sistema é de um jeito, se adoto outra o sistema é de outro. Qual o problema com sua obra Hefesto? Compreendo mas não sistematizo, se não sistematizo não falo o que é. Sua obra fala em mim e não verbalizo a ressonância da canção de sua alma.
Hefesto permaneceu em silêncio martelando. Uma martelada "IN", duas marteladas "TU", três marteladas "I", quarta martelada (...).

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

- Determinação Inabalável -



O medo me visita, fala simbolismos aterrorizantes em meus ouvidos. O cinza de seus olhos me convidam a entrar em sua alma e na profundidade inefável das trevas de sua íris faço um risco colorido. Suas palavras, sinais do apocalipse, trombetas celestes, abalam minhas estruturas e todas as armaduras e proteções, chaves que fecham o corpo se esvaem no cosmos.
Tudo o que sobra é
corpo cansado,
herói ferido erguendo espada...
... sem rendição...
rendição afirmativa a cina e à vontade.
Não restam armas empunhadas, não restam escudos pesados, nem sombras, nem luz, tudo é opaco...
... mas o corpo, ferido, persiste com sua fibra e garra.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

- Eternidade -



Subi cada vez mais alto, observei cada vez mais de cima. O antes e depois só existem fora de mim e num passo descontinuo de acelerações, câmeras lenta, alcanço do clímax, revejo infinitas vezes a lagarta virando casulo. Casulo se rompe, mas quero a lagarta novamente e novamente lagarta se faz casulo. Tudo o que é é tudo que já foi e pode ser, todas as possibilidades estão dadas e condenadas na unidade. Unidade e multiplicidade se anulam pois não há sentido algum. Um milhão de séculos para mover um dedo, estou no dedo, estou no passo que caminha em círculos viciosos, dor, sofrimento, vontade e desejo. O repouso absoluto da eternidade governa o tempo. O tempo é uma roda que gira na palma da mão do Buda.
O lótus caiu e continua caindo e recaindo, o homem morreu e continua remorrendo. Mil direções no corpo a serem observadas e experimentadas mil vezes.
Deus lê a mesma página mil vezes, Deus lê o livro de trás para frende e de frente para trás, Deus articula as possibilidade de histórias paralelas. Deus não pode nada... pois é tudo...

quinta-feira, 22 de junho de 2017

- A estrada sem jogos de "bem" e "mal" -




Pena... Pluma...
Pluma pena vai e volta e vem...
Pluma pena... que diabos, não importa
pois giro como pião, qualquer parada é direção a torto e a direito.

Há muito tempo tinha, em cada uma das mãos, uma pedra e sempre as lançava para o ar quando me deparava diante de um caminho. As vezes caía, no caminho, uma escrito "bem", outras vezes caía a outra escrito "mal". Ora, lançar pedras sobre caminhos não é uma brincadeira de criança?

Pedras! Por um acaso vocês não são brinquedos nas mãos de pessoas imaturas? Ou será... pessoas imprudentes...?

Ora, sujeito falante não seja arrogante!!! Cuidado, pois para essa sabedoria há poucos aqueles que colhem.

"Bem" e "mal" se esfarelam em mãos amadurecidas... tudo o que brota, de agora em diante, é entendimento e ternura.

Pena...
Pena...
Pluma...
Em minhas mãos e de minhas mãos um assopro.
Do assopro ao ar, mil penas com a ponta suja de nakin escrevem mil estradas. Não jogo mais a brincadeira do "bem" e do "mal" na escolha, mas marco meu ponto pisando com entendimento e ternura. Um sim e 999 nãos.