quinta-feira, 20 de março de 2014

- Pedras e Poemas -



Uma pedra caída no chão mentém ao seu redor diversos poemas formados por elementos exalados em sua queda, a isso chamamos criatividade e originalidade. Porém, após certo tempo, os poemas circundantes se tornam tão repletos dos mesmos elementos, tão originais, que espelham-se entre si mesmos confundindo-se e confundindo o público que, entediado, vai embora buscando outras pedras.
Pobre pedra, ainda  não sabe que, para continuar a brilhar como estrela, necessita se atirar em outras terras e variar suas rachaduras, pois assim seus poemas se enriquecerão com novos elementos, tão diversos e nem por isso menos originais e criativos.
Chamemos isso então, a superação e inovação da arte. A pedra se quebra, se racha, se solidifica ou vira areia, não importa, virando ou não cacos de vidro coloridos, o que sair sobrevivido e vivo não está para além em alma alguma, mas sim no casulo que se rompe brotando asas regadas pelo sol. Pedras voando como borboletas, caindo, ficando e partindo de novas e velhas terras, assim o artista se renova, e isso, jamais, será perder a originalidade.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

- Re - significar o Mundo -




Há muito tempo que as letras de minha alma não ultrapassam o muro de carne e ossos com o qual me revisto. Tenho me defendido muito do mundo, mas palavras e versos sem significados forçam as pequenas rachaduras articuladas numa vontade insaciável de re-significar o mundo.
Algumas canções vibram estranhamente e abalam nosso silêncio sem que nos demos conta e sem que entendamos sua língua, mas, de fato, falamos o mesmo idioma.

domingo, 2 de junho de 2013

- Da simplicidade -




Por trás de cada mudança simples que notamos em nós mesmos há toda uma complexidade de amadurecimentos que ocorreram que não percebemos.

terça-feira, 7 de maio de 2013

- A mais difícil de todas as tarefas -



De todas as tarefas, talvez, a mais difícil de todas, é aprender a viver para si mesmo sem cair no egoísmo, pois é como estar sempre passando na beira de um buraco onde podemos cair se cometermos o menor dos deslizes.
Encontrei um baú de tesouro, abri, encontrei comigo mesmo e a necessidade de cuidado, mas sem esquecer as pessoas que amo.
De todas as tarefas, ou melhor, de todas as habilidades, a mais difícil é aprender a viver para si mesmo sem cair no egoísmo.

sábado, 22 de dezembro de 2012

- Do amadurecimento -




Como ficam as coisas que amamos, construímos e juntamos nos cantos do quarto e debaixo da cama quando partimos? Por algum tempo se mantém erguidas, depois se desmoronam e o vento as levam.
Estranho pensar coisas desse tipo, não gosto, mas vejo como ponte para nos olharmos como simplesmente somos: homens e mulheres, pessoas que simplesmente, com pés suaves pisam no chão desse mundo e tais pegadas, com o tempo, se apagam.
Então, tudo vale a pena!!!

sábado, 22 de setembro de 2012

- Metamorfose do Herói -




Há muito houve um artista, porém este não era suficientemente forte e morreu, porém, antes de morrer fez um testamento com seu dom para que pudesse herdar de si mesmo suas habilidades. Tornou-se então um guerreiro, muitas lutas, muitas derrotas, mas é por meio de pancadas que o mármore ganha forma. Porém o guerreio nunca se torna pronto e por pequenos feitos é aclamado herói. Mas dura pouco, a fama não é a mesma quanto à do artista. O herói salva, resgata, porém seu futuro é o martírio.
É esse então o caminho de nossas metamorfoses? Não mesmo! Há outro passo, secreto, que a história nunca conta. O motivo? Disso não entendo. O mártir chama a atenção, com ele o mundo muda de nome, o comércio também. Lutar e morrer por um mundo melhor. É esta a fatalidade do herói? Qual a alternativa? Tudo bem, respondo-vos ó aprendizes de guerreiros e artesãos, o herói deve ser herói de si e para si. Mais um “porém”, há, nessa virada, um enorme risco de abismo, há, nessa virada, o perigo de cair no egoísmo e se esquecer do resto do mundo. Portanto, não temas em salvar-se, mas lembra-te de ensinar aos outros a importância de, a cada dia, salvar suas vidas fazendo cada segundo o mais precioso possível.

- Vontade de alma -




Durante muito tempo permaneci sentado nessa pedra, daqui assistia muitas vidas passarem e serem vividas ao máximo que lhes fosse possível. Confesso que estou cansado e meu único descanso agora chama-se movimento. Minha alma move-se por si mesmo arrastando meu corpo, pernas que antes não respondiam são arrastadas por uma vontade de alma. Estou um pouco enferrujado, mas com um tempo minha coluna não mais manifestará dor e suas rachaduras serão seladas com concreto.
Levantei da pedra com o corpo arrastado pela minha alma. As nuvens de tempestade que faziam trevas no céu modificaram-se em formato de redemoinho e, do seu interior, vi uma imensa claridade. Energia, energia vital ou energia destrutiva do raio? O único caminho para a verdade é a dúvida e a verificação. Do centro do redemoinho de nuvens um raio cortou o horizonte e dividiu o mundo em dois por um instante.
Meu braço, então, serviu de para-raios por um momento! É tudo o que tenho e todo o possível deve ser feito nesse instante, pois o raio em minhas mãos condensa tudo o que existe, nada há frente, nada há atrás. Vida é luta, golpeei então o ar e do raio surgiram pontos de possíveis e absolutos agoras. Estiquei a ponta do dedo e fiz uma escolha e tudo se tornou caminho.

domingo, 12 de agosto de 2012

- Dos riscos no meio do caminho -




Buscar um sonho é como voar sobre abismos e muralhas em direção a algo no horizonte e que, sempre que encontramos algum lugar seguro para descansar e assim o fazemos, encontramos neste lugar um anjo ou um demônio que nos tenta convencer de ficar. E ficando por tempo demasiado, perdermos nossas asas.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

- Sobre a Maldade -




Você diz que sou maligno... mas da minha maldade você nada conhece... apenas eu sei do mal que sou capaz e por isso decidi não dar face a isso.
O mal é como uma lança cujo cabo que precede a ponta é afiado como uma lâmina, portanto, quando se atira tal lança, antes que esta atinja seu alvo, marca a pele do atirador traçando um caminho de dor e sangue que talvez nunca seja coberto pelas areias que enterram as coisas no passado. Sei o que é o mal, por isso decidi não praticá-lo. Não me diga que sou cruel, pois da crueldade que me habita você não enxerga nem a ponta, portanto, meu caro, você não me interprete incorretamente.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

- Breve conto sobre autonomia -





Olhei o abismo e me joguei no mar... nadei para bem longe... tão longe que não escapei de minha própria consciência. Peguei um pássaro e o segurei em minhas mãos, cuidei de sua vida, mas ele nunca mais pode voar. O que roupei deste pássaro? Ao cuidar o tornei fraco! Tomava-o em minhas mãos e o levava aos mais infinitos horizontes, ele sorria, mas voar para ele se tornou uma atitude cansativa e desinteressada e, as vezes, para algumas criaturas, a autonomia pesa demais. Então o pássaro se tornou pássaro de vontade fraca e de asas emagrecidas e despenadas. O que torna belo é a livre ação daquilo que somos impulsionados a ser e a negação dessas coisas é o despedaçar que fragmenta esfarelando até a pura negação.
Um dia um grande mestre abandonou seu discípulo à boca da morte, o discípulo então odiou seu mestre desde aquele dia e, desejando vingança, venceu a morte fortalecendo seus braços, pernas e coração. Caminhou no deserto de sua existência tornando-se forte a cada passo, até que em uma tarde qualquer encontrou seu mestre, já não mais tão jovem quanto antes e, após ter dito – lhe algumas palavras, perfurou seu velho corpo com um punhal.
Tempos mais tarde encontrei um pássaro e o tutelei, não o abandonaria assim como fizera comigo meu mestre... assim havia eu decidido... e agora vejo o mau que fiz a esse pássaro e o quanto minha superproteção e cuidado o enfraqueceu... Agora lhe compreendo meu mestre... abandonando-me à morte você me tornou vivo... e forte... minha autonomia não esmaga minhas pernas... pena não ter te compreendido antes...