quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

- A Jornada da Re-invenção de si -



O Homem de Asas de Metal retirou-se em seu silêncio, calou seus pensamentos e permitiu que apenas seu coração falasse. Após ter pertencido em esculta a tudo o que seu coração lhe dissera durante 33 dias e 7 horas, rompeu a imobilidade de suas pálpebras e, ao contemplar o céu que o cercava de tempestades de raios e nuvens escuras, esticou lentamente suas pernas endurecidas pela disciplinar postura de estado meditativo que herdara de sábios milenares com os quais sua alma reteve profundos conhecimentos de outras eras. Levantou suas vistas, respirou profundamente sentindo toda a energia da terra percorrer seu corpo e, com o ar de sabedoria, proferiu aos ventos, raios e nuvens algumas palavras escavadas de sua alma e ditas pelo seu coração: "É preciso destruir a si mesmo para que possamos exercer sobre nós o ato próprio de criação de nós mesmos". Dito estas palavras o céu chorou para alimentar toda a terra que o sustentava e partiu em busca daquele que domina tal processo alquímico: Zaratustra.

sábado, 24 de janeiro de 2015

- O trágico e a miséria -



Não há o bom, nem o bem, nem o mau e nem o mal. Não há o sentido, positividade, mas puro acontecimento trágico e miserável dos conflitos humanos.

- Ensinamentos sobre aprendizados -



Embora o pensamento liberte a alma, ele mata o momento e faz entrar em colapso toda a perfeição do corpo em seus movimentos de interação.
Exercer sua personalidade se funda no desencobrimento do espírito sobre o corpo. Mas para isso o corpo necessita de interação e, por sua vez, ausência de pensamento.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

- Lamentação e erro da alma do grande pensador -



"É sempre necessário esperar pelo momento e pelas condições ideais para se fazer determinadas coisas". Viveu com essa máxima um grande pensador, porém a vida passou e as condições ideais nunca vieram. O grande pensador, sempre renegando os simples momentos e as simples condições, veio a falecer.
Ele, então, nunca vivenciou determinadas coisas pois nunca houve condições ideais, nunca executou seus planos e desejos apostando nas condições simples e ordinárias. Sejamos sinceros, o ideal nunca vem simplesmente por não existir, tentamos impor nossos ideais ao mundo e assim cometemos o maior de todos os assassinatos. É a iniciativa que precede o extraordinário e não o extraordinário que precede a iniciativa.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

- Maturação -




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(Alguns homens alcançam milênios de sabedoria, outros, viverão a vida inteira sem compreender o que significa ter uma conversa que torne seu espírito mais refinado). 
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O semeador, assim, retirou de sua sacola essa semente e a lançou em terras áridas esperando que, até o fim de sua vida, possa colher os frutos dessa árvore sagrada.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

- Selfie against self -



Congelar momentos encenados nunca será eternizar a felicidade ou momentos de glória. Por trás das máscaras há o puro tédio, a pura apatia e a tentativa de fugir de si mesmo. Assumir a própria vida, com suas misérias, seus acasos, seus momentos de agigantamento, alguns sorrisos e alguns mal dizeres, esse, talvez, seja o mais difícil de todos os trabalhos, ou será, como já dissemos, viver para si mesmo sem cair no egoísmo. Para o primeiro é necessário coragem e para o segundo um pouco de habilidade.  

domingo, 21 de dezembro de 2014

- Abandonar a Vida -



"Renegar suas Asas de Metal é o mesmo que renegar a própria Vida"
Assim falou Zaratustra ao Homem de Asas de Metal que estava à beira de atirar ao precipício todas as possibilidades de auto superação.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

- Aquilo que ecoa e ressoa -





toda filosofia “é, 
simultaneamente, a biografia involuntária de uma alma” (NIETZSCHE, F. Aurora, af. 481)

domingo, 7 de dezembro de 2014

- Noé e a salvação da humanidade -




Os homens desde antes de seu nascimento são destinados a grandes sacrifícios, porém assumir essa destinação é um ato de coragem e de abraço ao suicídio pontual e cotidiano. Deus, por que trabalhar todos esses anos para salvar a humanidade se, ao final, fui o único quem ficou de fora de minha própria arca?


Esses foram os últimos pensamentos de Noé que, ao preencher todos os lugares de sua arca com a humanidade, não reservou o lugar de salvador e de guia para si e nem mesmo o lugar de sobrevivente. Observou, com lágrimas nos olhos, as mesmas lágrimas com inundavam o mundo, o dilúvio nada mais foi que a tristeza de Noé inundando sua alma. Salvou a humanidade mas não pôde salvar a si mesmo. E agora Noé naufraga em sua dor e solidão.

Porém, o dilúvio não é eterno, as águas baixam, a dor se purifica e evapora com os raios do sol, assim Noé se transformou em um imenso arco-íris, pois compreendeu o quão grandiosas havia sido sua obra e todos, ao contemplarem o arco-íris, puderam, até o fim de seus dias, lembrar do homem que salvou a humanidade.


Ass: O contador de histórias.

sábado, 6 de dezembro de 2014

- A destruição do mundo -



Abri minha alma e li cada palavra sussurrada de seu ventre, cada palavra lida foi regada com muitas gotas de certezas até florescerem verdades eternas. Nada do que é falso pode sobreviver à luz devastadora da verdade, com ela todas as trevas são expurgadas e todo o mal se esvai escorrendo pelas rachaduras da terra e retorna para o submundo.

As verdades há muito cultivadas transbordaram pelos meus olhos e observei diretamente no coração do mundo. Ódio! Ódio! Ódio! Esse é o conceito do mundo após minha experiência, após submeter o mundo aos meus métodos e olhares de verdade. Contemplo assim o coração mesquinho e falso do mundo que diante do meu olhar de verdade é purificado de todo o mal que vejo.

Pela verdade purifiquei o mundo e devolvi a ele seu sentido, porém, o único bem, a única verdade é tudo o que restou.

Quando cultivamos a verdade criamos um deserto de solidão pois o mundo se afasta. Ou será que somos nós que nos afastamos do mundo por nos enganarmos?

Fazer essa pergunta é sempre o primeiro passo para reconstruir o mundo.