quarta-feira, 14 de maio de 2014

- Lembrança decadente que se ergue-




Gostaria de modificar os fluxos do mundo, porém mantendo as mesmas peças em seus lugares.
Gostaria que cada momento fosse como os clipes de minhas músicas preferidas.
Mas, as vezes sou prisão e aprisiono, outrora, sou liberdade e instrumento de sua ação.
Sorte a minha de você sempre me mostrar e me lembrar quem eu sou, porém o ser humano é sempre decadência e perda de sentido.
Então, moça bonita, preciso de você sempre ao meu lado para quando eu decair e esquecer quem eu sou você possa me lembrar... de maneira sutil... de maneira violenta...

sexta-feira, 4 de abril de 2014

- A frieza do olhar -




O controle sobre as emoções e a segurança do momento são ferramentas com as quais nos enganamos e nos escondemos de nosso real acontecimento trágico. Observo uma onda gigante vindo em minha direção, sei de sua capacidade destrutiva, porém penso que sou imune ao seu poder e quando ela chegar arrasando toda a cidade, sairei por cima nadando. Assim observo friamente o mundo e o calculo, faço análises de suas catástrofes e formulo soluções. Mas, o que a frieza do meu olhar não me deixa ver é que, por dentro, essa onda fortíssima abala todas as estruturas sobra as quais me edifiquei e assim o corpo sangra. As paredes do corpo não suportam a força destrutiva dessa onda de fortes sentimentos e se racham e assim as águas selvagens dessa onda escapam em forma de hemorragia.
Mas, qual o remédio para isso? Será que nós, homens de olhar frio, sempre padeceremos desse mal? O que aprendi, até o momento, é reconhecer e respeitar a força dessa onda que, embora pensemos sermos mais fortes, sempre acabamos derrotados e arrastados por ela. Nossos braços não são fortes o suficiente para retermos aquilo que sentimos, portanto, é preciso deixar a onda fluir.

sábado, 22 de março de 2014

- A alma sem metáforas -




Carinho, cuidado, romantismo, companheirismo, essencialmente a essência de conviver, porém, é no corpo a corpo intenso que as almas se manifestam sem metáforas.

quinta-feira, 20 de março de 2014

- Pedras e Poemas -



Uma pedra caída no chão mentém ao seu redor diversos poemas formados por elementos exalados em sua queda, a isso chamamos criatividade e originalidade. Porém, após certo tempo, os poemas circundantes se tornam tão repletos dos mesmos elementos, tão originais, que espelham-se entre si mesmos confundindo-se e confundindo o público que, entediado, vai embora buscando outras pedras.
Pobre pedra, ainda  não sabe que, para continuar a brilhar como estrela, necessita se atirar em outras terras e variar suas rachaduras, pois assim seus poemas se enriquecerão com novos elementos, tão diversos e nem por isso menos originais e criativos.
Chamemos isso então, a superação e inovação da arte. A pedra se quebra, se racha, se solidifica ou vira areia, não importa, virando ou não cacos de vidro coloridos, o que sair sobrevivido e vivo não está para além em alma alguma, mas sim no casulo que se rompe brotando asas regadas pelo sol. Pedras voando como borboletas, caindo, ficando e partindo de novas e velhas terras, assim o artista se renova, e isso, jamais, será perder a originalidade.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

- Re - significar o Mundo -




Há muito tempo que as letras de minha alma não ultrapassam o muro de carne e ossos com o qual me revisto. Tenho me defendido muito do mundo, mas palavras e versos sem significados forçam as pequenas rachaduras articuladas numa vontade insaciável de re-significar o mundo.
Algumas canções vibram estranhamente e abalam nosso silêncio sem que nos demos conta e sem que entendamos sua língua, mas, de fato, falamos o mesmo idioma.

domingo, 2 de junho de 2013

- Da simplicidade -




Por trás de cada mudança simples que notamos em nós mesmos há toda uma complexidade de amadurecimentos que ocorreram que não percebemos.

terça-feira, 7 de maio de 2013

- A mais difícil de todas as tarefas -



De todas as tarefas, talvez, a mais difícil de todas, é aprender a viver para si mesmo sem cair no egoísmo, pois é como estar sempre passando na beira de um buraco onde podemos cair se cometermos o menor dos deslizes.
Encontrei um baú de tesouro, abri, encontrei comigo mesmo e a necessidade de cuidado, mas sem esquecer as pessoas que amo.
De todas as tarefas, ou melhor, de todas as habilidades, a mais difícil é aprender a viver para si mesmo sem cair no egoísmo.

sábado, 22 de dezembro de 2012

- Do amadurecimento -




Como ficam as coisas que amamos, construímos e juntamos nos cantos do quarto e debaixo da cama quando partimos? Por algum tempo se mantém erguidas, depois se desmoronam e o vento as levam.
Estranho pensar coisas desse tipo, não gosto, mas vejo como ponte para nos olharmos como simplesmente somos: homens e mulheres, pessoas que simplesmente, com pés suaves pisam no chão desse mundo e tais pegadas, com o tempo, se apagam.
Então, tudo vale a pena!!!

sábado, 22 de setembro de 2012

- Metamorfose do Herói -




Há muito houve um artista, porém este não era suficientemente forte e morreu, porém, antes de morrer fez um testamento com seu dom para que pudesse herdar de si mesmo suas habilidades. Tornou-se então um guerreiro, muitas lutas, muitas derrotas, mas é por meio de pancadas que o mármore ganha forma. Porém o guerreio nunca se torna pronto e por pequenos feitos é aclamado herói. Mas dura pouco, a fama não é a mesma quanto à do artista. O herói salva, resgata, porém seu futuro é o martírio.
É esse então o caminho de nossas metamorfoses? Não mesmo! Há outro passo, secreto, que a história nunca conta. O motivo? Disso não entendo. O mártir chama a atenção, com ele o mundo muda de nome, o comércio também. Lutar e morrer por um mundo melhor. É esta a fatalidade do herói? Qual a alternativa? Tudo bem, respondo-vos ó aprendizes de guerreiros e artesãos, o herói deve ser herói de si e para si. Mais um “porém”, há, nessa virada, um enorme risco de abismo, há, nessa virada, o perigo de cair no egoísmo e se esquecer do resto do mundo. Portanto, não temas em salvar-se, mas lembra-te de ensinar aos outros a importância de, a cada dia, salvar suas vidas fazendo cada segundo o mais precioso possível.

- Vontade de alma -




Durante muito tempo permaneci sentado nessa pedra, daqui assistia muitas vidas passarem e serem vividas ao máximo que lhes fosse possível. Confesso que estou cansado e meu único descanso agora chama-se movimento. Minha alma move-se por si mesmo arrastando meu corpo, pernas que antes não respondiam são arrastadas por uma vontade de alma. Estou um pouco enferrujado, mas com um tempo minha coluna não mais manifestará dor e suas rachaduras serão seladas com concreto.
Levantei da pedra com o corpo arrastado pela minha alma. As nuvens de tempestade que faziam trevas no céu modificaram-se em formato de redemoinho e, do seu interior, vi uma imensa claridade. Energia, energia vital ou energia destrutiva do raio? O único caminho para a verdade é a dúvida e a verificação. Do centro do redemoinho de nuvens um raio cortou o horizonte e dividiu o mundo em dois por um instante.
Meu braço, então, serviu de para-raios por um momento! É tudo o que tenho e todo o possível deve ser feito nesse instante, pois o raio em minhas mãos condensa tudo o que existe, nada há frente, nada há atrás. Vida é luta, golpeei então o ar e do raio surgiram pontos de possíveis e absolutos agoras. Estiquei a ponta do dedo e fiz uma escolha e tudo se tornou caminho.