sexta-feira, 6 de julho de 2012

- De como eu me tornei um renegado e mau caráter -




Fiz muito por esse vilarejo, pelo menos o muito que sempre esteve ao meu alcance, ou o “pelo menos” de acordo com o que cada um compreende. Porém, certo dia, fui atacado pelas costas por um guerreiro de menor valor, mas sangrou, pois o tesouro de minha alma foi atingido fazendo minhas pernas tremerem, mas mesmo assim pude me defender e derrotar meu adversário.
Ferido, retornei ao lugar que tanto amava ficar, mesmo que quando ficava por pouco tempo, para tomar um café ou apenas tirar uma soneca. Porém, há uma arma cuja qual espada nenhuma é afiada o suficiente para confrontar: a sagacidade da retórica humana.
Todas as pessoas com quem convivia olhavam – me e em seus olhos brilhava o desprezo e uma pequena quantidade de ira. Não conseguira eu compreender, mas, dias mais tardes palavras duras o vento traria. Notei que o vilarejo aos poucos ficava mais pobre, as colheitas, sem cuidado, secavam lentamente, os peixes e animas terrestres, na sombra da noite, partiam levando tudo o que lhes pertencia, as pessoas ficavam mais impacientes e dês-afetuosas.
Sentia que meu lugar, que tanto amava, restringia-se, no momento, somente a uma ilha com poucas árvores nas margens do vilarejo. Um dia, andando pelas ruas onde cresci, pessoas conhecidas de há muito tempo encurralaram-me num beco e disseram que todas as desgraças pelas quais se defrontavam eram oriundas de minhas ações. Então pedi uma explicação, pois não conseguia compreender o porquê de ter me tornado uma maldição para aquelas pessoas. Então, me responderam que, após eu ter atacado cruelmente e ferido  o guerreiro de menor valor, estes tiveram que desviar todas as suas ações que mantinham a vila para socorrer tal pessoa o que comprometeu toda a economia do lugar.
Desde então percebi que as testemunhas do combate careciam demasiadamente de capacidade de interpretação de fatos e de discurso. Construíram, desse jeito, este muro chamado verdade cujos tijolos dizem ser meu caráter. Agora vivo, aqui, em minha ilha apenas, como renegado... e mal caráter...  

sexta-feira, 22 de junho de 2012

- Para quando a tempestade acabar -



“A vida é um instante de raio na imensidão do céu e sua origem está nas grandes tempestades”, isso me foi dito por um sábio rei enquanto tentava compreender o que é a vida destituída de seu vulgar sentido de sobrevivência. E hoje, observando o mundo e as voltas velozes que executa misturando e sacudindo todas as coisas, posso acrescentar a tais palavras que disse a mim mesmo: “pois sempre quando saímos de uma tempestade, saímos mortos e também vivos, o espírito não sobrevive, mas nasce um novo na velha alma”.

- Para quando o mundo acabar -



Agora que o mundo acabou vejo tudo originariamente, sem pecado. A criança, com massa de modelar reformula o mundo e configura tudo o que pode e acredita ser possível e assim tudo é. Cada passo é o primeiro e único passo do momento, portanto, pé esquerdo e direito se equivalem em importância e sentido.

sábado, 2 de junho de 2012

- Peguei e guardei -

Um coração caiu do alto céu e pousou em minha mão. Peguei, apertei e pus em meu peito. Desde então sigo vivendo. Uma imagem do teu rosto caiu de repente e percebi. Voou. Mas corri e percorri bastante. Não me cansei. Peguei e apertei com muita força no peito. Pronto, pus no coração e, desde então, vivo te amando.

- Forjando a própria coragem -

Da última vez fui vencedor, porém não somente com minha força, pois você me apoiou e me fortaleceu. Mas agora preciso ir à guerra contando somente com meus braços e pernas, não quero ninguém como escudo, mas sim forjar minha própria espada e minha própria coragem. Por isso parto para a guerra, só, não quero arriscar ninguém, portanto, se encontrar a derrota voltarei satisfeito, pois provei de minha própria força... e limite...

- Do sacrifício pela iluminação -

Com um punhal fiz uma ferida em minha alma e a costurei, isso irá doer por um longo tempo, mas que isso permaneça como lembrança para me lembrar do que eu sou e do que aprendi. Talvez eu necessite renascer milhares de vezes para me perdoar e assim permanecer somente a sabedoria. Mas, é se cortando e se ferindo que se ilumina.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

- Tsurus voando -




Quando me atiro em seus braços fecho meus olhos e adormeço num paraíso. Sinto um perfume imediato na alma que enaltece,  aparece e transforma minha face. Sim, é você, a canção que se aproxima cuja voz desejo escutar todos os dias ao acordar.

Sim, tsurus voando na parede dos meus sonhos construídos e erguidos, você dormindo, carinha de menina linda, música que fala de amor, frio na barriga, vontade de te beijar.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

- Tomando para si a própria vida -




O guerreiro permanecia no chão, derrotado, sangrando e chorando. Lágrimas pela tentativa frustrada, sangue... por passos de vontade. Fechou o punho e golpeou o chão ao qual mantinha o rosto próximo e lembrou-se de algo que um antigo rei lhe dissera antes que partisse para sua busca pessoal: “Caiam mil homens à tua esquerda e dez mil à tua direita, tu não serás atingido” (Salmos 91:7) “porque aos seus anjos ele mandou que te guardem em todos os teus caminhos” (Salmos 91:11).

Por um instante lembrou-se dessas palavras e amaldiçoou o velho rei, ele de nada sabia, nada alem de vislumbres fantasiosos e delírios. “Velho tolo...” pensou com o coração rasgado por uma lança, “morra de vez para o mundo e se perca em suas crenças... e que a terra cubra teu corpo e sua alma se perca no mais longínquo céu de vazio...”

Decidira então entregar-se à morte, mas vale isso para um guerreiro do que uma vida desonrada e manchada pela derrota. Havia percebido que atirara uma lança com os olhos vendados e esta alcançou o alvo, seu próprio espírito.

“O que fazes aí, largado às areias levadas pelo vento que a tudo arrastam para a indiferença?”

O guerreiro, estranhando ter escutado uma voz em meio à morada da solidão, ergueu os ouvidos e os olhos procurando por alguém, mas se deu conta de que ainda estava sozinho, não havia naquele lugar ninguém alem de si mesmo.

“você está vivo, não está?”

Embora fosse doloroso admitir, sim, ainda permanecia vivo, essa era uma de suas qualidades, teimosia, teimosia até mesmo para a morte.

“Quem perturba minha vergonha com tais palavras? Responda? Mostre tua face... ou será que nem disso mais sou digno?”

“Você está vivo, não está?” Tornou novamente a voz a questioná-lo.

“DESAPAREÇA DOS MEUS PENSAMENTOOOOOOOOS!!!!!!!!!!” Gritou o guerreiro.

“Responda minha pergunta!!!” Exclamou a voz com um tom mais severo.

“Sim... estou... mas... em que condições... olhe para mim e responda!!!”

“Em condições suficientes para prosseguir em tua busca.” Retornou a voz, e depois disso se foi ou apenas permaneceu em silêncio, pois os lábios que pronunciaram tais palavras nunca foram vistos.

“Sim, estou vivo.” Disse a si mesmo o guerreiro retirando do espírito a lança com a qual havia se ferido. Pôs-se então de pé, havia diante de si uma imensa montanha a qual devia escalar cujo cume tocava o céu. Começou a subir e, em seus pensamentos, pedia perdão ao velho rei guardando novamente as palavras que lhe foram dadas junto aos tesouros de sua alma.

“A vida passa e a tudo arrasta, nos arrasta, é preciso fazer o fluxo parar e correr na direção que quisermos... a vida não mais me arrasta, mas dito a ela os fluxos de minha vontade”

Subiu, subiu tão alto que pôde tocar os céus e com ambas as mãos segurou por um instante o mundo e este multiplicou-se tornando-se vários mundos, fitou o horizonte, escuro pelas nuvens de tempestade, encheu seus pulmões com palavras que saíram por sua boca despedaçando tudo o que não mais suportava e pôde-se ouvir a quilômetros e quilômetros de distância a palavra “LIBERDADE”. Então, feito isso, um trovão cortou o céu e lhe mostrou a direção de mundo à qual decidira percorrer.   

sábado, 17 de dezembro de 2011

- Acontecimento de alma -



Andava com passos serenos e suas palavras vieram como chuva inundando a alma, palavras que ganharam vida das páginas do livro e adquiriram liberdade voando e inundando almas. Depois que chegaram aos meus ouvidos minha alma nunca mais retornou ao mesmo tamanho e o mundo nunca mais foi o mesmo.

O que se esconde é o que de nós está mais próximo, aquilo que não vejo e nem compreendo vivencio e, na vivência, a alma acontece, se dilata e expande com o que o mundo nos alimenta.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

- Do amor ao mundo -


Em primeiro lugar ele amou o mundo e, por amar ao mundo, permitiu ser aprisionado e morto covardemente. Talvez este seja realmente o melhor de todos os mundos possíveis, mas largamos esse mundo fora e construímos morada em mundos miseráveis levantados por nossas mãos e pré-conceitos. Se banirmos o mundo real e também o mundo das aparências o que sobrará?
Apenas o mundo!!!!!