segunda-feira, 12 de abril de 2010

- Sonhos não Existem -


Soldado!
Pegue a passagem pro inferno que é impossível voltar.
Um foto de sua amada na mente levará
É o fim dos seus sonhos, só pense para casa voltar.

Bombas explodem, o sangue escorre pelo chão, milhares de jovens morrem em vão.

Ele caminha sobre os crânios que perguntam:
Por que essa destruição?
O inferno subiu para terra ou é sua imaginação?
Você chora quando vê as crianças que formam um tapete para a nação?

Arrasado com a arma na mão e selvageria no sangue,
Esmagará seus inimigos e destruirá suas almas
Só há ódio em seu coração.

Bombas explodem, o sangue escorre pelo chão, milhares de jovens morrem em vão.

E agora soldado que você caminha com a morte contando-lhe histórias em seus ouvidos.
Será que ela está te chamando?
Lutar, acreditar, viver até um último suspiro de esperança.

A sua casa!
A sua garota!
A sua canção!

Milhares de jovens morrem em vão!!!

- Aquilo que parece um Conto -


Somos livres para escolher nosso caminho
A luz e as trevas a guiarão pela estrada de espinhos
Mas é compreendendo o próprio coração que nos tornamos livres.

Agora você caminha, depois corre tornando-se leve até poder voar com as aves do céu.

A poeira de diamantes que entra pela janela cobre seu corpo,
Assim como meus braços que te envolvem na chama fria do fogo.
Seus olhos se fecham escondendo um mundo distante que desejo conhecer e saber.
Mistérios, mistérios da alma que se escondem, se guardam.
Mistérios sombrios como a poeira de diamantes, que além de bela e calorosa também é fria e mortal.

Somos livres para escolher nosso caminho
Mas cada coisa que escolhemos faz parte de um outro caminho totalmente diferente.
E é compreendendo a diversidade de caminhos apontados por nossa alma que nos tornamos livres.

Antes você caminhava, depois corria e agora voa com as aves do céu.

Os sonhos de seu coração exprimem a verdade escondida em meio a um nevoeiro.
O mar é um outro mundo escondido em seus olhos e
O céu está para mais além em você.
Somos livres para escolher o nosso caminho.

O céu e o mar encontram-se apenas no horizonte,
E o horizonte permanece intocável até o infinito.
Mas compreendendo que o céu e o mar sempre estão em harmonia e esperança seguindo o horizonte infinito, que sabemos da recíproca contemplação pela infinitude do tempo.

Agora que você voa com as aves do céu, pode saber que estou aqui esperando por você,

e se você voar até aqui irá me encontrar.

Eu prometo.

Lindas princesas não existem apenas em histórias.
Pessoas que podem voar também não existem apenas em histórias.
Tudo pode ser, tudo pode coexistir, existir, se criar e inventar.
A beleza do mundo é relativa aos olhos que o observam, ao tamanho do coração que o sente, e da mente que o compreende.

- Silenciar -


O que diz o homem que desceu da montanha e banhou sua cabeça sob as lágrimas geladas que das pedras escorriam?
Vou lhes dizer....
Silêncio, lábios cerrados....
É tudo isso que encontramos em sua face serena....
- Nem todos os ouvidos são fortes o suficiente como aço pra sobreviver ao peso da verdade. Nem toda mente é sólida como o aço para não desmoronar diante da verdade. Nem todo coração, ou talvez nenhum coração seja duro o suficiente para suportar a veredicto da verdade.
- O que é a justiça senão a ação do homem justo, mas baseado em que o homem justo mede as coisas?
- O que é o bem senão uma boa vontade, mas a boa vontade necessita de um executor, e quem nos garantirá a bondade de tal homem?
- O que é a beleza senão aquilo que encanta aos nossos olhos, mas somente aos nossos.
Tantas perguntas e tanto silêncio, aquele que conhece os mistérios apenas os guarda para si.
No silêncio não se escutam os gritos daqueles que se mantêm em silêncio.
No silêncio não se escutam aqueles que necessitam de socorro, pois estes se mantêm em silêncio.
No silêncio se escutam algumas canções, mas somente aquelas que vêm do brilho de um olhar, marcadas pelo compasso de um sorriso.
No silêncio os assassinos se movem, mas também os grandes heróis, esquecidos pela história dos cegos contadores de historias.

- Vontade do Nada -



Vontade...
Vontade de vazio.... vontade do nada..... vontade de alguma coisa que grita de dentro da rocha, do rochedo, por dentro dos muros das muralhas das fortalezas.
Vontade de caminhar por entre árvores, encontrar um banquinho em meio às sombras de folhas e flores floridas da primavera e me deitar.... deitar.... dormir..... dormir ao deitar, cochilar.
O vento sopra para longe meus pensamentos e me traz sonhos que pousam em minha imaginação....
Imaginação, está por trás do véu dos pensamentos, dos sonhos, das grandes idéias, dos grandes ideais.
Uma lembrança de algo esquecido, um vazio, pois não se sabe do que se sente saudade, mas a saudade daquilo que não se sabe é o nada... o nada não é o zero, nem o um, é o não saber... vontade de saber o não saber, querer conhecer e perguntar, vontade de nada, vontade de saber sobre o não saber da saudade daquilo que não se sabe de que....
O horizonte na janela me lembra o não sei o que, o vento fresco no verão me lembra alguma lembrança que não me lembro, o barulho das árvores balançando na noite, me recordam de um tempo em que vivi mas não lembro como vivi, de como eu existi, se existi....
Saudade, vontade do nada, não da ausência absoluta, mas de saber que não se sabe aquilo que sabe, o esconderijo, a toalha colorida, o sentimento de sentir por algo inteligível.
Vontade, bondade, amizade, minha idade, meu tempo meu temporal, tão amado, me faz sentir a sensação insensitível.
Deitado no banco, durmo, deitado sob as sombras das árvores, pensamentos vão, sonhos vêm, e o nada, a estranheza, a inquietação, não sei....
Não sei.....
Não sei..........
N............ a ......................d ............................a
....................................V .................a .....................z ................i ...................o

Vento e janela.

- Sobre o Futuro -


Aonde ir, em que pedra pisar
Quais os ventos frios aos quais devo seguir...
Não sei, de nada sei...
Tempestades de areia cortam o meu corpo,
E despedaçado ainda persisto no caminho
Num caminho sem horizontes, sem um ponto fixo ao qual devo olhar
Mas para que olhar? Para que tanto saber? Se tudo o que se passa o vento leva junto com a tempestade de areia!

Sangrando caminham, cantando permanecem,
Olhando para o alto e pisando em cacos de vidro, assim caminha a humanidade!
Mas o alto só tem estrelas longínquas que se apagarão algum dia.
Com isso se iludem aqueles que fogem do sentimento da dor dos seus pés rasgados e sangrentos...
Assim humanidade.... assim vocês caminham....
Assim seguem um atrás do outro, em fila, em ordem, entoando cânticos lacrimejosos.

A ilusão do céu estrelado ou a realidade de um horizonte vazio?
Um, o outro, ambos ou nenhum?
Para onde ir?
Aonde leva o caminho árduo, sofrido?
A busca pela fé ou pelo pragmático?

De nada sei!
Só sei que aquele que durante a sua jornada não tiver construído sandálias fortes o suficiente para não rasgarem durante seus passos perderão seus pés.

terça-feira, 6 de abril de 2010

- Sangrar -


Pegadas de sangue marcam por onde passou um animal ferido. Ele diz: “quero sangrar”, “quero que o meu sangue seja semente para repovoar o mundo quando eu me for”.
Já rasguei o meu coração, abri e pus as entranhas pra fora, assim posso respirar, com os retalhos vermelhos faço um cobertor, é quente, é místico, me leva a viajar e sonhar contigo.
O xamã mistura ervas e provoca visões, enxerga a terra sangrar, os animais tentam se banhar nesse sangue para salvar suas vidas, mas aquele que dentre eles é bípede e sapiente bebe esse sangue, enche seus estômagos, assim devora-se a si mesmo e a todos de sua espécie e de todas as espécies.
O animal que sangra é feliz, de seu sangue se erguerá árvores, de seus ossos, revigoramento para os animais, de sua pele, algo parecido com o homem, o “ser – humano”, igualmente bípede, igualmente racional, mas que jamais perde a ternura.

- O Voar -


Há homens que perseguem o mistério
Há outros que preferem o amor
Alguns a justiça

Tudo o que é raro e sagrado é mantido no escuro
Nas profundezas, guardado por seres flamejantes, mortais e devoradores de mortais.
Aqui só aos deuses é dado conhecer, o saber, a fonte da qual as feras humanas bebem da sua água,
Mas ao tornarem – se repletos dela a cospem no chão.

O homem que conhece as palavras mágicas para remover o véu e ver aquilo que os deuses vêem não mais retorna, não mais vive como compreendemos o viver.
Apenas salta aos ares diante de nossas vistas, apenas segue uma órbita, apenas encontra seu destino, construído a todo instante.

O voar... o bater de asas invisíveis....

um horizonte que a cada momento é diferente de si mesmo....

mas sem um adeus....

pois tudo é o todo......

- O oráculo -


Escuto passos...
Mas na realidade é apenas o meu desejo de ouvir seus passos e saber que você se aproxima.
Ouço vozes...
Mas não sei se devo confiar...
Muitas palavras são lançadas ao ar por desconhecidos...

Homens caminhando em fila...
Vendendo suas almas para comprar suas vidas...
Por fora o sorriso, mas no interior, amargura e angústia por compreender e não poder agir.
Estruturas que se racham, opostos que se chocam, uma luta, um combate...

Um mundo que se destrói a todo o momento...
Um mundo que afunda na escuridão a cada momento...
O que diz o oráculo? O que ele diz para acalmar o seu coração? Diz que não haverá uma guerra entre forças contrárias, em que pessoas amadas e queridas não mais serão vistas e a dor será a única certeza?

O que vocês pensam? Ó homens que caminham em fila e seguem a norma?
Vocês conseguem perceber suas estruturas racharem?
As forças contrárias causam o medo em vocês?
O que é essa inquietação, essa angústia?

DIGA!!!!!!

UM GRITO... UM SOLUÇO....

A espera pelo oráculo, a espera por saber sobre seu futuro, seu presente, seu passado...

Mas os homens continuam caminhando em fila...
Vendendo suas almas e comprando suas próprias vidas.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

- O guerreiro -


Quem é você que rasteja por migalhas?
Que tem os pés rasgados pela dura caminhada
Que tem as mãos sangrando devido aos inúmeros combates.

Quem é você que luta todos os dias e só tem a própria sorte,
A incerteza e nada mais?
Quem é você que não tem imagem refletida nos olhos das outras pessoas?

Quem és tu ó guerreiro...?
Submisso pela própria condição
Só os reis são lembrados como vitoriosos...
Os guerreiros, apenas lutam, a plebe, apenas trabalha,
Pilares dos reis, pilares escondidos e nunca vistos por aqueles que contam histórias.

Ao invés de lágrimas nos olhos, coragem...
Ao invés de lamento pelas feridas, orgulho pelas cicatrizes...
Ao invés de temer a morte, um convívio amigável, pois esta é a única certeza.

O guerreiro, aquele que guarda, que vela, instrumento do combate configurador de todas as coisas, sempre existente na luta, no combate de todas as épocas.

- A canção de uma alma -


Posso ouvir a canção que vem do brilho dos seus olhos,
e o brilho dos seus olhos queima minha vista,
Mas posso ouvir alguém gritar do fundo do abismo: Faça acontecer um caos interior! Para que você possa conhecer a verdade que há em você!

A água que inunda todas as cidades está secando e um mito novo irá surgir.

Quem irá contar? Quem irá ouvir?

Posso enxergar a névoa cinza que vem do brilho dos seus olhos,
e a névoa cinza dos seus olhos entristece a minha vista,
mas posso sentir que alguém não deseja mais estar no fundo do abismo.
Então, faça acontecer um caos interior, para que você possa conhecer a verdade que há em você.
A água que inunda todas as cidades secou,
Podemos agora inventar e contar historias do novo mito.

Quem irá contar? Quem vai querer ouvir?

As crianças já nascem velhas...
As crianças já fazem amor...
As crianças já possuem frieza diante da vida...
As crianças agora brincam com suas armas...
Há o advento de uma nova aurora, de um novo tempo, um novo amanhecer.....
Um recomeçar do mesmo e para o mesmo transformado e transformador.