terça-feira, 1 de abril de 2025

- Zen e a arte de correr -


Está fazendo três anos que comecei a praticar corrida. Sempre soube do essencial, mas hoje tudo ficou mais claro e talvez esse seja o maior ensinamento sobre a arte de correr:

Quando se começa com muita intensidade, força e pressa, rapidamente suas forças se esgotam e você não chega a lugar nenhum, mas, quando se mantém um ritmo lento, cadenciado, respeitando os limites de cada passo, se chega muito longe e o cansaço não existe...

Ora, Sr. B., o senhor sabe muito bem que não é sobre corrida que estamos falando...

segunda-feira, 31 de março de 2025

- O Sr. B. não é bem vindo no mundo -


Há muito tempo Sr. B. se senta ao mesmo banco, no mesmo jardim, sob a mesma árvore. Com o suceder de dias, Sr. B. percebeu que o jardim se descoloria...

"Pinte você mesmo seu jardim" era o que todos que viam o Sr. B. repetiam. "Você que não sabe cativar os sentimentos alheios", repetiam outros. "Você que não sabe como jogar o jogo tal como tem que ser, por isso elas se afastam", disse inclusive quem promove saúde.

Sr. B., então, não sabia como se relacionar com o mundo, não se sentia mais parte ou bem vindo no mesmo, pois as pessoas não conseguiam enxergar quem era o Sr. B., mas queriam que o Sr. B. as visse.

Que mundo miserável...

- Angústia e amor -



Vc disse que viria logo, e abandonei muita coisa por vc...

Não entendo muito sobre lágrimas, mas emergem e escorrem sem controle...

Estou me fortalecendo e, a cada corte no coração, mais forte me torno...

Permaneci frio e fechado por um longo tempo, resolvi descer a montanha e concluí que voltei cedo demais...

Ainda não é meu tempo...

As feridas precisam de tempo, assim como o amor.

quarta-feira, 19 de março de 2025

- Jogando com o destino -




A vida é um instante de raio na imensidão do céu... e isso, moça, eu já sabia...

Mas, você me fez ver que desse instante, sempre estamos a jogar dados com o destino e que, na maioria das vezes, perdemos...

...é de um acerto apenas que eu preciso!

terça-feira, 11 de março de 2025

- Os mil Fantasmas -




Você apareceu para me amar, tentei te alcançar e, antes que te tocasse, mil fantasmas que estavam escondidos em meu coração se interpuseram entre nós. 

Não havia me dado conta, mas as aparições rasgaram meu coração ao sair e permaneci imóvel vendo você partir...

Entenda, não te segurei por que assim queria, mas por estar devastado... foi como se arrancassem meus braços e pernas...

Você não está mais aqui, porém, sou grato por ter me feito ver esses mil fantasmas, pois agora posso encara-los e costurar meu coração... mais uma vez...

Se a vida lhe trouxer novamente, serei eternamente grato!

domingo, 9 de março de 2025

Destemor

Enquanto estiver essas asas de metal para voar, jamais temerei os jogos do acaso na estrada da minha vida!

Estou devastado, mas não temo! Sempre foi assim...

Assim disse o Homem de asas de metal

- A ironia da vida -



- Venha! Temos um amor para a vida toda para você...

Esperançoso, eu segui e acreditei.

- Estenda a mão, e pegue

Ao estender a mão, a vida me cortou o braço... e vi você ir embora...

A ironia da vida!

sexta-feira, 7 de março de 2025

- A tragédia -




Cada cicatriz, um verso.

Corpo poético, corpo trágico.

Música é sempre catarse...

- O que eu sou? A autoafirmação da Filosofia



Durante séculos Filosofia gestou em seu ventre as ciências de toda espécie. Nasceram como frutos verdes porém, prepotentes de maturidade. Se maravilharam com suas descobertas e, consequentemente, com sua capacidade de domínio da natureza.

Todo poder, assim como toda fome, a medida que se sacia, amplia o estômago demandando por mais poder e logo essa fome insaciável fez com que as ciências de todo tipo pensassem em algo muito ousado: voltar sua força contra sua própria origem, destruir a própria genitora, pois assim reinariam absolutamente.

Filosofia sempre sangrou, muitas foram as proclamações de sua morte, mas, em cada morte se fazia filosofia. Filosofia é imortal pois não há como matá-la sem fazer filosofia. Desses incansáveis ataques se criou um abismo repleto de caos e vazio, sem ligação, só se passa da filosofia à ciência por um salto... Mas por que essa distância sem pontes?

Eis então as diferenças:

A ciência se sustenta pela experimentação, a filosofia argumentação. Os cientistas afirmam, hipocritamente, que buscam o consenso, os filósofos, por sua vez, amam o dissenso, a discórdia, o conflito entre ideias, mas sempre dialeticamente. Virtuoso é o que prevalece! O cientista finge neutralidade diante do objeto analisado, o filósofo tem ciência que não existe neutralidade e, sempre que escreve, toma partido em direção ao fim do mundo... para mudar o mundo...

sábado, 2 de novembro de 2024

- O perigoso "por que"? O caso Sr.B

 


Sr.B vivia feliz, cometia lá seus erros, partia alguns corações na mesma medida que o seu era partido também. Mas, tudo era como deveria ser e Sr.B compreendia a tragicidade do vir-a-ser.

Porém, houve um momento em que acharam o Sr.B um caso interessante, algo digno de nota na história da humanidade. Sr.B chamava a atenção de muitos pelo seu sorriso, pela sua leveza, mas também pelos seus dias de tristeza que lhe acometiam às vezes e isso era curioso.

E então, lhe perguntaram "por que"? Tal expressão lhe caiu como uma pluma de aspecto agradável a qual ele tentou apanhar nas mãos. Ao apanhá-la, percebeu algo estranho, um certo peso, mas mesmo assim, respondeu a pergunta.

"Hora, Sr.B, sua resposta está errada, tente de novo!"

Tudo bem, Sr.B tentou fazer-se o mais claro possível...

"Não, Sr.B, não é isso..."

Sr.B percebeu que não se tratava de uma conversa, mas de uma justificação. A cada "por que" era necessário uma resposta, mas todas as justificativas estavam erradas, pois a pergunta já vinha com a verdade. Era isso então, reconhecer a verdade, tudo se resume a isso!

Mas, qual a verdade? Perguntou o Sr.B e, ao ser dita, soube que se tratava de um roupagem que fizeram para ele e, a cada "por que", lhe "pediam" que acrescentassem um nome ao seu, pois era assim que o conheciam. Cada nome um peso, cada nome, uma culpa! E Sr.B percebeu que, na verdade, não queriam compreendê-lo, tudo se tratava de um julgamento cuja sentença estava dada.

Sr.B, o pecador! Sr.B, o injusto! Sr.B, o mentiroso!

Por que você pecou? Por que foi injusto? Por que mentiu?

Às vezes as interrogações são afirmações e o universal é um particular!

O forte vivia livre com sua natureza, feliz, mas quando o fraco lhe perguntou "por que?", o forte sentiu vergonha de sua nudez e se escondeu, pois sentia-se culpado pelos seus pecados.

Agora, do cume da montanha, Sr.B observa, em meio a baixa temperatura, o mundo lá do alto... tudo é tranquilo e sereno lá de cima... e todos acham que o Sr.B está doente.