terça-feira, 30 de agosto de 2011
- À todos os heróis de pequenos e grandes feitos -
Seus olhos veêm alem de reflexos
Seus braços sustentam e criam novos mundos
Suas mãos esmagam pedras e quebram correntes.
Seus pés caminham sobre águas de um oceano em fúria.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
- Toda a mágica possivel -
Abri a janela, você veio voando e pousou em meus pensamentos. Sua sombra provocou ruínas nos muros do meu coração. Escrevi um pedido num pedaço de papel, dobrei várias vezes para que se perdesse no infinito do silêncio da noite, atirei aos céus, mas o pedido se perdeu, voou e encontrou seu destino. E agora você está aqui. Para esse momento, quero toda a mágica possível.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
quinta-feira, 21 de julho de 2011
- O retorno das asas de metal -
Olhei ao longe e vi uma árvore, uma antiga árvore, parecia estar ali naquele horizonte há séculos. Minhas vistas de repente ofuscaram-se e senti necessidade de ir um pouco mais adiante. Quando se deseja saber alguma coisa é necessário se lançar no precipício e afundar no oceano. Aproximei – me e, no centro um pouco mais acima de seu tronco havia um círculo, mas, igualmente como minha vista, este permanecia ofuscado em sua própria natureza.
No mais profundo da escuridão do aprofundamento, a árvore, em sua realidade e também na minha, não mais era árvore, mas sim um antigo templo que insistia em permanecer coexistindo com toda a modernidade que havia ao seu redor. Curioso, caminhei ao seu redor para ver o que havia em seu interior. Uns dizem que não há nada mais profundo que a pele, eu, porém, sempre compartilhei da ideia de que o mais profundo é o interior, então, movido por essa convicção, procurei até encontrar uma porta. Simples porta. Seguindo meu desejo, empurrei e a abri. Entrei. E, ao passar pela porta, entrei eu mais duas pessoas que não havia me dado conta. Pude presenciar um culto primitivo que ainda se perpetuava, diante de um altar, um sacerdote e mais dois auxiliares executavam um ritual. Caminharam em nossa direção e fizeram símbolos em nossa testa e em nossa face, símbolos que, segundo eles, protegiam e abençoavam.
Depois disso saímos e, lembrando do semblante do sumo sacerdote do templo, pude o reconhecer e disse: “quem ainda está nesse templo é o Kelder”. Então minha mente entrou num estado de tempestade de memórias e de súbitos raciocínios, muita coisa passou a fazer sentido e senti ânsia de vômito que durou por todo um dia. De repente passei a amaldiçoar a benção que recebi e me senti adoecido, fraco, fracassado, todas aquelas imagens, a árvore, o templo, o sacerdote, ainda é ele, como pode? Benção? Maldição que me feriu na alma e que sangra sempre quando escorrego. Dor! O retorno da dor! Dor sempre retorna!
Nesse momento, negras e pesadas asas de metal surgiram novamente em minhas costas fazendo meus pés afundarem no chão e sangrarem. Há muito tempo havia aprendido a voar com elas e a voar sem precisar delas, mas, como tudo é um ciclo, tudo retorna, há menos que o ciclo seja desfeito.
sábado, 16 de julho de 2011
- As linhas do teu rosto -
Em uma das esquinas dessa vida me perdi em seus olhos. Você nem precisa me dizer nada, pois as palavras que leio em teus lábios quando sorri e em teus olhos quando me vê são muito claras. Por um momento me vi no céu, depois no mar... e depois deserto...
As linhas do seu rosto traçadas em minhas memórias tomam forma em qualquer horizonte, mas o tempo, mago velho, espalha com seu vento minhas lembranças assim como areia. Mas, as linhas do seu rosto... seu rosto... eu nunca esquecerei...
domingo, 10 de julho de 2011
- Desejo de fortalecimento -
O seu olhar me trouxe uma profunda lembrança. Lembrança de algo que nem me dava conta de ainda guardar em minha alma. Sempre soube que estava aqui, dentro de mim, em minhas mais antigas memórias já camufladas em sonhos destituídos de sentido. Sempre senti, nesse frio de inverno, ao ver as folhas das árvores secarem e caírem, a sensação de saudade de algo desconhecido.
Meu olhar fita teus olhos e os atravessa, lá há um mar e no horizonte cinzento sua alma caminha em meio à tempestades, dançando, fazendo malabarismos e piruetas. Sim, você resiste, suporta, cresce e se fortalece. Amarrei meus braços em minhas costas, quero ver como você luta, como você encara este desafio, como reage, como toma para si tua vida.
Não estou fugindo, apenas quero que te fortaleças.
domingo, 19 de junho de 2011
- Esfinge, da auto - devoração e auto - construção -
Há muito tempo humanidade mantinha-se perdida no deserto, buscava, a cada passo, a cada olhar, a cada estrela nova que aparecia no céu, uma trilha que levasse ao fim dessa longa peregrinação. O que busca um peregrino? Martiriza seus pés e espírito, flagela o corpo expondo-o ao sol sedento por beber seus raios e matar sua cede. Para que alimentar-se de luz? Ó humanidade, seu corpo é um abismo tomado pela escuridão e cada luz que se lança garganta adentro se perde em meio às trevas de seu ventre.
O que procura ver dentro de si está em seus próprios olhos, o que procura tocar e sentir já acaricia tua pele a todo o momento. Mas humanidade escolheu manter-se perdida e se perder a cada vez mais. No deserto, a pirâmide aponta para o céu, mas também sua base aponta para os quatro cantos da terra, no interior pode haver algum tesouro, mas provavelmente encontrará um cadáver.
É noite, noite estrelada do deserto, à sua frente um altar e, logo atrás, uma mulher com corpo de leão. Dizem que sabe de tudo, outros, que engana, outras ainda que ela devora homens. Mas, humanidade, solitária em seu desespero, decide correr o risco, pois havia transformado o mundo inteiro num imenso deserto em busca de sua autoconstrução e autocompreensão.
“Ó grandiosa Esfinge, vós que a muitos homens sábios mantém em seu ventre e com suas almas alimenta vossa sabedoria, vós, grandiosa e inabalável dos séculos e séculos digais-me: o que sou?”
“Não forneço verdades e nem esperanças, apenas direciono os passos daqueles que ampliam a estrada ao estremo destruindo todo o caminho tornando-o deserto. Não lhe devorarei, mas você mesmo é objeto de sua ruína e auto devoração, toda decadência é auto decadência, ocorre de dentro pra fora. Assim, pois vos digo humanidade, tua face é como um espelho, este nunca nos mostra como se é verdadeiramente, mas, em seu rosto, a metamorfose de imagens que reflete a cada raio de luz que o toca, portanto, nunca vemos a face do espelho e nem nos perguntamos sobre isso, pois aí está para nossos olhos o impossível, mas espelho assim o é para nós própria plenitude de ser espelho.”
Ao ouvir tais palavras, humanidade decidiu encerrar tal peregrinação e, das areias, fez surgir rios, dos rios, todo o tipo de vida, e percebeu que sempre esteve e pertenceu a si mesma independente do lugar.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
- Rastro de Perfume -
Você passou como o vento e deixou para mim seus rastros de perfume que envolveram minha alma. Agora, não mais sei onde estou. Paixão, carinho, calor, amor, amizade ganhando o mesmo corpo que parte ao encontro daquela que passou e deixou seus rastros de perfume, seus fragmentos de flor, sua doçura de sonho.
Corpo, dança, gesto e harmonia, desequilíbrio moderado, frio incendiado, fogo renovador.
A tudo o que é santo, a isto, que é o que há de mais santo.
terça-feira, 17 de maio de 2011
- Sobre a ditadura -
É estranho, mas agora, lembrando de minhas histórias, me dei conta de que todas as aventuras acontecem enquanto estou caminhando, pelo menos é assim que inicio quase sempre falando sobre as coisas que aprendi enquanto desbravava este obscuro mar que é o mundo. Essa história não se distingue muito das demais, sou cavaleiro andante e marginal, vivo às margens de minha própria vida, já fui muitas vezes a sorte de muitas pessoas, mas, não consigo ser minha própria sorte e nem permito que ninguém seja, pois, um guerreiro, orgulhoso como sou, deve ser capaz de salvar a própria vida...
... Mas, até agora me sinto ainda na margem, marginal, não conquistei esse território que é a minha vida...
Lancei-me para fora, a alma quando quer voa transcendendo os limites e entranhas do corpo, agarrei-me e puxei.... corporifiquei-me.... e vi que era bom....
.... mas, sou ainda marginal.....
Ó divindade, sacrifico todo dia meu sangue para vós....
Porém, hoje decidi beber do meu próprio sangue....
....e você me lançou no inferno.
Assim são as ditaduras. Dizem que foram extintas e que agora reina a democracia e com ela a liberdade. Liberdade? Uma vez uma mulher, velha mulher, me disse:
-- Desde quando ir para onde quiser e falar o que quiser é estar livre enquanto que só se vai e se diz de acordo com as possibilidades que lhe dispõem? Desde quando se faz liberdade somente com isso? Saúde roubada, sentimentos roubados, pensamentos roubados, subjetividade violentada sutilmente. Liberdade? A democracia democratizou e aperfeiçoou a ditadura, reproduziu, temos agora inúmeras ditaduras.
Então ela recolheu seus farrapos que lhe sobravam ainda de vida, pôs – se a caminhar rumo ao horizonte, pois, segundo ela, no final haveria um pouco mais de vida, mas sei que esse lugar não existe.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
- O que cabe a cada cicatriz... -
Caminhei até aqui e olhei para trás, esperei a poeira levantada pelos meus pés baixar e tentei observar o que eu havia deixado marcado e erguido por todo esse caminho. Na verdade, pouca coisa. Não construí nenhum castelo, nem um lugar qualquer para morar, mas alguns lugares me fizeram sentir vontade de ficar ali, para sempre.
Caminhei até aqui e olhei para trás, nenhum castelo foi construído, tudo o que tenho é essa barraca nessa mochila, nenhum lugar para morar, só sandálias nos pés. Toda cicatriz possui uma meia abertura, que sangra, quando olhamos...
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... e escorre do nosso olhar....
Não quero todo o mar, mas apenas uma trilha em meio ao oceano......
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