Durante séculos Filosofia gestou em seu ventre as ciências de toda espécie. Nasceram como frutos verdes porém, prepotentes de maturidade. Se maravilharam com suas descobertas e, consequentemente, com sua capacidade de domínio da natureza.
Todo poder, assim como toda fome, a medida que se sacia, amplia o estômago demandando por mais poder e logo essa fome insaciável fez com que as ciências de todo tipo pensassem em algo muito ousado: voltar sua força contra sua própria origem, destruir a própria genitora, pois assim reinariam absolutamente.
Filosofia sempre sangrou, muitas foram as proclamações de sua morte, mas, em cada morte se fazia filosofia. Filosofia é imortal pois não há como matá-la sem fazer filosofia. Desses incansáveis ataques se criou um abismo repleto de caos e vazio, sem ligação, só se passa da filosofia à ciência por um salto... Mas por que essa distância sem pontes?
Eis então as diferenças:
A ciência se sustenta pela experimentação, a filosofia argumentação. Os cientistas afirmam, hipocritamente, que buscam o consenso, os filósofos, por sua vez, amam o dissenso, a discórdia, o conflito entre ideias, mas sempre dialeticamente. Virtuoso é o que prevalece! O cientista finge neutralidade diante do objeto analisado, o filósofo tem ciência que não existe neutralidade e, sempre que escreve, toma partido em direção ao fim do mundo... para mudar o mundo...